Meloas de Santa Maria com mais vitamina C que as restantes
A Comissão Europeia atribuiu ontem à Meloa de Santa Maria, a classificação de Indicação Geográfica Protegida (IGP), passando o fruto a integrar uma lista que conta já com quase 1.200 produtos regionais.
A meloa em causa, cultivada na ilha açoriana de Santa Maria, foi classificada devido ao seu sabor doce e suculento quando madura e ao elevado teor de vitamina C, muito superior à média das meloas comuns. A IGP é a classificação ou certificação oficial regulamentada pela União Europeia atribuída a produtos gastronómicos ou agrícolas tradicionalmente produzidos numa região. Para um produto obter a classificação de IGP, tem de ficar demonstrado que pelo menos uma parte do seu ciclo produtivo tem origem no local que lhe dá o nome e que tem uma “reputação” associada a essa mesma região, de tal forma que é possível ligar algumas das características do produto aos solos, ao clima, às raças animais, às variedades vegetais ou ao saber fazer das pessoas dessa área.
“Mais valia para a economia da ilha”
A deputada do Partido Socialista, Bárbara Chaves, congratulou- se pela classificação da Meloa de Santa Maria como Indicação Geográfica Protegida (IGP), o que “constitui uma conquista dos produtores de meloa da ilha de
Santa Maria, da Associação Agrícola e Agro- MarienseCoop”.
“A meloa de Santa Maria é um produto único, que se diferencia pelas suas características especificas que o solo lhe confere. A partir deste momento, só os produtores marienses poderão produzir e comercializar Meloa de Santa Maria, com benefícios claros para a economia local”, destacou a deputada Mariense. Bárbara Chaves considerou que esta classificação “permitirá
que Santa Maria seja conhecida em todo o mundo por produzir um fruto IGP, podendo ser potenciada essa classificação, não só ao nível do aumento da produção, mas também explorada com fins turísticos”. “O Governo Regional desde a primeira hora disponibilizou o apoio técnico e financeiro necessário para que este processo tivesse um resultado positivo que hoje conhecemos”, referiu a deputada socialista. “Cabe agora aos produtores e às associações de produtores unirem-se cada vez mais, tornarem-se mais coesos, de modo a que Santa Maria e a Meloa agora reconhecida internacionalmente como IGP, constitua um produto com cada vez mais valor”, salientou Bárbara Chaves.
Luís Neto Viveiros satisfeito
O Secretário Regional da Agricultura e Ambiente congratulou-se com a atribuição pela Comissão Europeia da classificação de Indicação Geográfica Protegida à Meloa de Santa Maria, que considerou ser “uma mais-valia comercial,” e cujo ‘selo’ pode ser utilizado já na próxima produção, neste ano.
“A classificação da Meloa de Santa Maria como produto de Identificação Geográfica Protegida (IGP) que já tinha sido publicada em Jornal Oficial a 3 de Setembro de 2013 e agora reconhecida por Bruxelas, é a sétima certificação desta natureza a ser obtida para produtos agroalimentares dos Açores”, recordou Luís Neto Viveiros. Além da certificação IGP da Meloa de Santa Maria e da Carne dos Açores, são também reconhecidos a nível nacional e comunitário o Queijo de São Jorge, o Ananás dos Açores/São Miguel, o Maracujá de São Miguel/Açores, o Mel dos Açores e o Queijo do Pico, como produtos de Denominação de Origem Protegida (DOP). O Governo dos Açores faculta apoio técnico para que as organizações ou associações reconhecidas possam candidatar os seus produtos a uma certificação, que considera representar uma mais-valia comercial e até cultural.
Produtores de meloa de Santa Maria “muito felizes”
Também o presidente da cooperativa de produtores agrícolas de Santa Maria, nos Açores, afirmou à Lusa que a certificação europeia da meloa produzida na ilha o deixa “muito feliz”, manifestando esperança que haja uma “reflexo positivo” nos rendimentos dos produtores. Anualmente, são produzidas cerca de 150 toneladas de meloa, que são vendidas no mercado regional e do continente a mais de um euro por quilo. Com um peso médio de oito quilos, a meloa de Santa Maria é produzida ao ar livre e
está, habitualmente, no mercado entre Julho e Setembro.
A obra do terceirense padre António Cordeiro, HISTÓRIA INSULANA DAS ILHAS A PORTUGAL SUJEYTAS NO OCIANO OCCIDENTAL, foi publicada em 1717, em Lisboa.
«Ao incluir todas as ilhas na sua obra, factor que espelha um sentimento de “açorianidade”, e ao reflectir sobre a organização dos poderes e das instituições regionais, factor que traduz uma percepção de “insularidade”, o padre António Cordeiro é o primeiro pensador a esboçar uma reflexão de clara índole autonomista numa obra vanguardista, que só muitos anos mais tarde a história das ilhas tornaria, em parte, viável.»
(Carlos M. M. do Vale César, Presidente do GRA, extraído do prefácio a esta edição)
A produção de alho na ilha Graciosa é secular e reconhecida pela sua altíssima qualidade, mas tarda em sair do território insular. Uma área muito pequena e pulverizada e a ausência de organização por parte dos produtores são os fatores críticos para o desenvolvimento e promoção de um produto com um inquestionável potencial.
A VIDA RURAL visitou o Festival do Alho, uma organização da Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo (que congrega as associações empresariais das Ilhas Terceira, S. Jorge e Graciosa) e do Núcleo Empresarial da ilha Graciosa, que reuniu produtores, técnicos e especialistas gastronómicos para falar deste produto com características únicas.
Com uma área produtiva estabilizada, a produção quase duplicou nos últimos anos para as atuais 25 toneladas devido ao aumento da produtividade. Mas o que tem de especial este alho praticamente desconhecido no continente? A conferência ‘Características do Alho e Produção’, organizada no âmbito deste Festival juntou vários especialistas que traçaram a radiografia desta cultura na região. Adelaide Mendes, do IAMA (Instituto da Alimentação e Mercados Agrícolas) referiu que alho é cultivado na ilha ancestralmente, dadas as condições edafo-climáticas propícias à produção. E falou das suas características: “É um alho grande, com cabeças de cerca 25 a 45 mm, de 10 a 16 dentes, de cor vermelho arroxeado, com cabeças a pesar entre 25 a 40 gramas. Tem sabor e cheiro intenso mesmo sem ser quebrado, mas é muito suave depois de cozinhado”. A baixa pluviosidade e o ph neutro dos solos são apreciados pela cultura, que também prefere locais com boa exposição solar e abrigados de ventos fortes. A plantação ocorre entre dezembro e janeiro, com a colheita e secagem a ocorrer a partir do mês de junho.
Esta técnica falou ainda da candidatura à certificação IGP em curso, um processo que está a demorar pela falta de organização da produção (é necessário que uma organização de produtores fique a gerir a IGP) e que, no seu entender, é essencial para a proteção do nome e da origem geográfica deste produto.
Esqueça a farmácia!
Nutritivo e com propriedades antioxidantes, o alho é reconhecido como um produto saudável e com efeitos quase medicinais. A ciência parece concordar. Graça Silveira, professora na Universidade dos Açores, não tem dúvidas da capacidade do alho para curar algumas doenças. “O alho é sem dúvida nutracêutico [produto nutricional com alegado valor terapêutico, fusão entre as palavras nutritivo e farmacêutico], o que se deve à alicina, a substância responsável pelo odor forte. Ora, o alho da Graciosa é especialmente rico em alicina e a capacidade antioxidante é muito superior nas ilhas vulcânicas. A alicina neutraliza os radicais livres e existem estudos que provam que inibe o crescimento de células cancerígenas, para além da capacidade de reduzir o colesterol e atividade antimicrobiana, ou seja, a capacidade de matar bactérias”, revela esta especialista.
Veja a reportagem completa na edição de março da revista Vida Rural
| Cookie | Duração | Descrição |
|---|---|---|
| cookielawinfo-checkbox-analytics | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics". |
| cookielawinfo-checkbox-functional | 11 months | The cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional". |
| cookielawinfo-checkbox-necessary | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary". |
| cookielawinfo-checkbox-others | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other. |
| cookielawinfo-checkbox-performance | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance". |
| viewed_cookie_policy | 11 months | The cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data. |
